Subsídio de Natal: imposto começou a ser cobrado hoje

O diploma que cria a sobretaxa extraordinária de IRS sobre o subsídio de Natal ou rendimentos equivalentes foi publicada quarta-feira em Diário da República e entra em vigor hoje (quinta-feira). Assim, as empresas que pagam aquele subsídio de forma fraccionada e não apenas num único momento (habitualmente no final de Novembro) podem começar desde já a reter na fonte a parte proporcional devida, que corresponde a uma taxa extra de 3,5% sobre a parte líquida.

A sobretaxa do IRS, criada unicamente para os rendimentos auferidos em 2011, foi justificada pelos desvios nas contas públicas e deverá proporcionar uma receita adicional de 1025 milhões de euros.

A generalidade dos rendimentos (trabalho e pensões) vai pagar esta sobretaxa no momento em que receber o subsídio de Natal, mas os restantes rendimentos também vão ser chamados a contribuir quando for feita a entrega da declaração anual da declaração do IRS. De fora deste pagamento extra de imposto ficaram os juros e os dividendos.

As empresas e outras entidades que fazem retenção na fonte têm como data limite para enviar a quantia retida através desta sobretaxa o dia 23 de Dezembro.

Este ano, o subsídio de Natal líquido será cortado para metade na parte que excede o valor do salário mínimo, mas para o ano, quando os contribuintes fizerem a declaração anual do IRS será verificado quem pagou a mais e tem direito a reembolso ou não.

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FONTE: JN
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Informação Vinculativa: Pedido de informação acerca de cancelamento de matrículas - CIUC

Informação Vinculativa

Diploma: Código do Imposto Único de Circulação (CIUC)

Artigo: Artigo 2.º, n.º1, alínea a), artigo 3.º n.º1 e n.º 2 e artigo 4.º n.º3

Assunto: Pedido de informação acerca de cancelamento de matrículas

Processo: 2011000866, IVE n.º 1997 – com despacho concordante, de 18.04.2011, da Subdirectora-Geral da Área dos Impostos sobre o Património


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FONTE: DGCI
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Conheça os novos limites às deduções e benefícios fiscais: As deduções na Saúde que vão acabar no IRS

O ministro das Finanças anunciou hoje o fim das deduções para os portugueses com rendimentos brutos superiores a 66.045 euros/ano. Esta medida extraordinária junta-se aos limites para as deduções já aprovados anteriormente e que abrangia todos os escalões de rendimento.

A possibilidade de baixar a nota de liquidação do IRS ou de aumentar o cheque do reembolso vai reduzir-se fortemente em 2013, quando os contribuintes fizerem a entrega da declaração de rendimentos de 2012. Porque o programa de ajuda financeira a Portugal vai impor novos limites às deduções e benefícios fiscais. Veja quais.

Saúde:

Até agora, a Administração Fiscal permite que por cada 100 euros de despesa com saúde (medicamentos, óculos, aparelhos para os dentes, consultas) se abatam 30 euros ao imposto a pagar. E estabelece ainda que não haja qualquer limite na declaração deste tipo de despesa. Em 2012 já não será assim. No memorando que assinou com Portugal, a troika estipula que até ao final de Setembro legislação que crie "um tecto global" para estas despesas. A medida terá um forte impacto na factura de IRS das famílias. Basta referir que os portugueses apresentaram uma média de 650 milhões de euros por ano em despesas de saúde ao longo dos últimos anos e que a troika quer que sejam eliminados "em dois terços do total" as deduções fiscais em encargos de saúde.

Educação:

Já existe actualmente um valor máximo para estas despesas, que é de 760 euros, mas deverá ser reduzido no próximo ano porque a educação e ouras deduções à coelcta vão deixar de ser consideradas individualmente, passando a "contar" para um tecto máximo. Este tecto vai variar consoante o nível de rendimento do agregado, mas incluirá a saúde, a educação e a casa.

Habitação:

Num primeiro momento, presumivelmente no próximo ano, as despesas com o empréstimo da casa ou com as rendas poderão ainda continuar a ser declaradas mas com limitações no valor. Mas o objectivo da troika é que os encargos com os juros de crédito à habitação e com as rendas sejam progressivamente eliminados.

Benefícios Fiscais:

Actualmente apenas os dois primeiros escalões podem deduzir os benefícios fiscais na totalidade, ou seja, sem tectos. Mas estes são também os escalões onde dificilmente os contribuintes têm capacidade para investir em PPR ou energias renováveis, fazer donativos ou subscrever seguros. Para os restantes escalões já há limites máximos globais que variam entre 10 e 50 euros. Para o ano, estes valores poderão diminuir ainda mais ou mesmo desaparecer para muitos contribuintes.

Limites actuais de deduções e benefícios:

Em 2011, as deduções fiscais mantiveram-se para a generalidade dos escalões de rendimento, execpto para para os dois últimos (acima de 66.045 euros anuais), em que estão limitadas a 1100 euros.

Nos benefícios qapenas os dois primeiros escalões (até 7410 euros anuais de rendimento colectável) não têm limites além dos que existem para cada tipo de produto. Já quem tem entre 7410 euros e 18375 euros anuais (3º escalão) apenas pode beneficiar de 100 euros. Do 4º ao 7º escalão, o tecto global edste benefício baixa para, respectivamente, 80, 60 e 50 euros. Rendimentos colectáveis superiores a 153.300 euros não têm benefícios. Só por si, esta medida (que entrou em vigor com o Orçamento para 2011) vai fazer com que as famílias recebam em 2012 um reembolso menor do que aquele que tiveram este ano.

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FONTE: JN
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Informação Vinculativa: Código do Imposto do Selo - Comunicação de contratos de arrendamento

Informação Vinculativa

Diploma: Código do Imposto do Selo

Artigo: 60.º CIS, Verba 2 TGIS

Assunto: Comunicação de contratos de arrendamento

Processo: 2010004346 – IVE n.º 1703, com despacho concordante, de 2011.03.18, do Subdirector-Geral dos Impostos, substituto legal do Director-Geral dos Impostos


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FONTE: DGCI
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Fundo de Compensação limitado a 1% do salário do trabalhador

O Fundo de Compensação de Trabalho proposto pelo governo aos parceiros sociais será financiado pelas empresas que terão de descontar periodicamente até um por cento do valor dos salários e diuturnidades, num mecanismo só aplicável aos novos contratos.

O montante exato será determinado através de portaria emitida pelo ministério da Economia, no entanto, é admitida no documento governamental a estipulação de uma contribuição de valor superior mediante instrumento de regulamentação coletiva de trabalho negocial.

Segundo o documento enviado hoje aos parceiros sociais pelo Ministério da Economia, o fundo destina-se aos novos contratos de trabalho, isto é, aos contratos celebrados após a entrada em vigor do diploma que reduz as indemnizações por cessação de contrato de trabalho.

O diploma para a redução das indemnizações por cessação do contrato de trabalho que prevê que a compensação por despedimento, nos novos contratos de trabalho, passe para 20 dias de retribuição mensal por cada ano de trabalho, foi aprovado na generalidade no Parlamento e está hoje em debate na especialidade na comissão parlamentar de Segurança Social e Trabalho.

O modelo delineado pelo governo para este Fundo de Compensação de Trabalho (FCT) é, segundo o documento, próximo dos planos de poupança-reforma (PPR), sendo atribuída a cada trabalhador uma conta individual no FCT do seu empregador.

De acordo com a proposta do governo, o FCT “constitui um incentivo à poupança a médio e a longo prazo, na medida em que o reembolso apenas pode ter lugar no momento da cessação do contrato de trabalho, que pode resultar da iniciativa do trabalhador, do empregador, ou de outra causa prevista na lei”.

O projeto do governo prevê três modalidades de FCT, também admitidas para os PPR, nomeadamente fundo de investimento mobiliário, fundo de pensões e fundo autónomo de uma modalidade de seguro do ramo ‘Vida’.

A escolha da modalidade de FCT compete ao empregador, o qual deve, previamente, consultar as estruturas representativas dos trabalhadores.

A proposta determina ainda que o empregador deve aderir apenas a um FCT e nele incluir os trabalhadores com os quais celebre novos contratos de trabalho e contribuir periodicamente desde o início de execução do contrato de trabalho e até à respetiva cessação.

O empregador deve realizar 14 contribuições por cada ano de trabalho em relação a cada um dos trabalhadores incluídos no fundo e em caso de incumprimento, o trabalhador beneficia das mesmas garantias estabelecidas para a retribuição.

Ainda de acordo com o projeto hoje apresentado aos parceiros, o FCT é administrado por uma entidade gestora, de natureza privada, cuja atividade necessita de uma autorização prévia e cada entidade gestora pode administrar mais do que um FCT, prestando informação periódica ao empregador e ao trabalhador, nomeadamente em relação ao valor das contribuições entregues pelo empregador e ao saldo da conta individual.

O documento vai ser a base da discussão na próxima reunião em sede de Concertação Social.


FONTE: LUSA
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.*
 

IVA: saiba quem é abrangido pela tarifa social

Secretário de Estado justifica aumentos na electricidade e no gás com taxas dos outros Estados-membros da União Europeia

O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anunciou que a tarifa social no gás natural abrangerá os beneficiários do rendimento social de inserção, do complemento solidário de idosos, do subsídio social de desemprego, da pensão social de invalidez e do 1º escalão do abono de família.

Ao todo, serão 700 mil as famílias «mais vulneráveis» que terão um «desconto» após o aumento do IVA no gás e na electricidade, a partir de 1 de Outubro, tendo Paulo Núncio recusado dar mais pormenores, porque o Governo fará um anúncio «em breve» sobre estas medidas.

«Vamos reduzir substancialmente o impacto da alteração do IVA nas famílias de menores recursos económicos», prometeu.

O governante foi ao Parlamento defender a proposta de lei do Governo que antecipa o aumento do IVA da electricidade e do gás para a taxa máxima a partir de Outubro de 2011, justificando que estes bens serão taxados a 23% porque é assim na «esmagadora maioria» dos países da União Europeia.

«A aplicação da taxa reduzida nestes bens é absolutamente residual na UE», garantiu.

Segundo o secretário de Estado, em relação à electricidade, «há 20 países com a taxa normal e apenas três que aplicam a taxa reduzida». Já em relação ao gás, «há 20 países com a taxa normal e dois com a taxa reduzida». «É absolutamente normal que portugueses sejam sujeitos à taxa normal e é para aí que apontam os muitos estudos e relatórios internacionais, tanto ao nível da UE como da OCDE», reforçou.

Lembrando que a alteração do IVA dos bens energéticos foi uma das «obrigações» que o Estado assumiu no memorando assinado com a troika, Paulo Núncio sublinhou ainda a criação de um apoio social extraordinário para o consumidor de energia, sem adiantar, no entanto, mais pormenores.

Questionado pelos deputados do PS, que defendiam o aumento do IVA nos bens energéticos para a taxa intermédia, o governante justificou a opção pela taxa de 23 por cento pela necessidade «absolutamente imperiosa» de cumprir a meta de um défice de 5,9% na execução orçamental de 2011.

Ao seu lado esteve João Almeida (CDS), que referiu que, com a taxa intermédia, «pagariam todos pela mesma bitola». «Com uma discriminação positiva das famílias, aumenta-se quem pode pagar ao máximo para que quem não pode tenha margem para pagar menos».

Já em relação ao impacto destas medidas nas micro, pequenas e médias empresas, lamentado pelos deputados da oposição, Paulo Núncio apontou a «neutralidade» deste imposto. «O IVA é neutral do ponto vista económico e fiscal, por isso, para a esmagadora maioria das empresas, não constitui um obstáculo à competitividade», garantiu.

Críticas da oposição

A deputada do PS Sónia Fertuzinhos admitiu que o aumento do IVA na electricidade e no gás está previsto no memorando que os socialistas também assinaram, mas frisou que «este aumento» não estava nesse compromisso.

«Nada obriga à antecipação do IVA e nada obriga à passagem para a taxa máxima de 23%. É uma opção do Governo e da sua exclusiva responsabilidade. A opção radical do Governo é concentrar todo o esforço de consolidação orçamental no aumento de impostos», disse, descartando qualquer apoio do PS a estas medidas.

Já o deputado do PCP Honório Novo apresentou cinco exemplos de taxas reduzidas aos bens energéticos na UE, negando os dados apresentados pelo secretário de Estado: «Na Alemanha e na Irlanda é 19%, em França 5,5%, na Bélgica 6% e no Reino Unido 5,5%».

O comunista frisou ainda que, para se compararem impostos na UE, também é necessário o Governo «propor que o salário médio dos portugueses passe a ser o salário médio da UE».

Pedro Filipe Soares (BE) também acredita que vamos passar a ter «a electricidade mais cara da UE, patrocinada por PSD e CDS», exigindo conhecer os estudos para o impacto destas medidas.

A deputada d'Os Verdes Heloísa Apolónia apontou que uma boa média das famílias «pode vir a pagar mais 100 ou 150 euros de luz e gás anualmente», o que considera «insustentável».

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FONTE: TVI24
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Lei n.º 49/2011 - Aprova uma sobretaxa extraordinária sobre os rendimentos sujeitos a IRS auferidos no ano de 2011

Lei n.º 49/2011
de 7 de Setembro

Aprova uma sobretaxa extraordinária sobre os rendimentos sujeitos a IRS auferidos no ano de 2011, alterando o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442 -A/88, de 30 de Novembro.


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FONTE: DRE
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Aumentos de impostos são temporários mas não têm fim à vista

O aumento de impostos para os contribuintes nos escalões mais elevados e empresas será "temporário", garante o ministro das Finanças, mas vai manter-se enquanto o Estado fizer a consolidação das suas contas públicas, nos próximos anos.

"[Estas medidas] são apresentadas como temporárias na lógica do Governo porque fazem parte de um conjunto de medidas de equidade social na austeridade, e portanto justificam-se claramente no contexto de esforço adicional que é pedido à sociedade portuguesa no contexto de grave crise", disse o ministro das Finanças, durante a apresentação do documento de estratégia orçamental 2011-2015.

A "taxa adicional de solidariedade" irá manter-se enquanto houver a necessidade de ajustar as contas públicas, um período ainda não definido, sendo que pelo menos até 2015 (o horizonte da projeção) o Governo pretende continuar a apresentar défices orçamentais mais baixos ano após ano, e as projeções para a dívida pública apontam para que esta continue em níveis superiores a 100 por cento do PIB no final de 2015, quando as regras europeias limitam este valor a 60 por cento do PIB, deixando antever austeridade pelo menos até esta altura.

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FONTE: LUSA
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Governo aperta regras nas prestações da Segurança Social

Tanto nos apoios sociais como nas prestações contributivas é de esperar alterações em breve.

Em nome da consolidação orçamental, os apoios e as prestações pagas pela Segurança Social vão ter regras mais restritas de acesso. Por um lado, haverá mais apoios sociais sujeitos a normas apertadas de atribuição, por outro, também é de esperar novas regras nas prestações que já dependem da carreira contributiva dos trabalhadores.

Depois de, em Agosto de 2010, o Executivo de José Sócrates ter restringido o acesso a alguns apoios sociais (que não dependem dos descontos dos beneficiários mas sim do nível de rendimentos do seu agregado familiar), o Documento de Estratégia Orçamental (DOE) vem agora reafirmar a uniformização de regras dentro deste regime. Aliás, o memorando de entendimento assinado com a ‘troika' já falava no alargamento do uso da condição de recursos nos apoios sociais, prevendo uma redução de pelo menos 350 milhões de euros na despesa em 2013. Mas o documento ontem apresentado por Vítor Gaspar também prevê resultados no próximo ano e salienta que, num quadro de "médio prazo", "o princípio seguido será o de estender a aplicação das condições de recursos a outras prestações do regime não contributivo".

Os detalhes só serão conhecidos no Orçamento de Estado para 2012, apurou o Diário Económico. Para já, só o Rendimento Social de Inserção, o abono de família e os subsídios sociais de desemprego e parentalidade estão abrangidos. De fora estão outros apoios e complementos relacionados com desemprego, doença, velhice ou morte, por exemplo. As pensões sociais também não entram mas este poderá ser um caso diferente uma vez que o Governo já anunciou a actualização das pensões mínimas.

Mas além destes apoios que só dependem dos rendimentos dos beneficiários, há um conjunto de prestações contributivas (relacionadas com o nível de descontos dos trabalhadores) que poderão ser revistas. No seguimento do alargamento das regras de condição de recursos aos apoios sociais, o DEO também fala na "criação de regras nalgumas prestações do regime contributivo, de forma a garantir um acesso socialmente justo aos recursos disponíveis". O Diário Económico sabe que a ideia não é replicar neste regime as regras de condição de recursos dos apoios sociais mas haverá novidades. Aliás, neste sentido já se sabe que o subsídio de desemprego terá cortes na duração e no valor ainda que seja reduzido o tempo de trabalho necessário para ter acesso à prestação.

O reforço da condição de recursos e a aplicação de outras regras de elegibilidade "deverão contribuir em cerca de 0,1% do PIB para a contenção da despesa pública" em 2011 e 2012 explica o documento.

Já no âmbito das dívidas, o Governo também prevê que, no caso da Segurança Social e do Fisco, haja uma revisão da legislação no sentido de remover "impedimentos à reestrutuação voluntária de dívidas" e a "utilização de uma maior variedade de instrumentos de reestruturação".

Pensões acima de 1.500 euros cortadas, cai contribuição extra

Nos próximos dois anos, só as pensões mínimas terão aumentos iguais à inflação. As restantes estão congeladas. Uma medida que contribui em 0,4% do PIB em cada um dos anos. Mas para quem ganha mais de 1.500 euros, as notícias são ainda piores. É que, tal como já previa o Executivo de José Sócrates e ficou depois firmado no entendimento com a ‘troika' para 2012, as pensões acima de 1.500 euros serão cortadas, seguindo as regras já aplicáveis nos salários da função pública. Isto aponta para reduções entre 3,5% e 10%, mas o valor mínimo da pensão nunca pode ficar abaixo dos 1.500 euros. O documento refere que o contributo desta medida é de 0,2% do PIB no próximo ano, inscrevendo um valor nulo para 2013. No entanto, refere que a medida será aplicada "a partir de 2012". E clarifica outro aspecto. Ao mesmo tempo que o Governo corta nas pensões acima de 1.500 euros, é anulada outra medida em vigor este ano: a contribuição de 10% nas pensões acima de 5.000 euros, no valor que exceda aquele montante. Esta taxa, intitulada "contribuição extraordinária de solidariedade", estava prevista no Orçamento do Estado para 2011, e vigoraria apenas este ano se não fosse renovada no ano seguinte. Essa ideia está posta de parte, já que o corte nas pensões acima de 1.500 euros "deverá implicar a eliminação da contribuição extraordinária de solidariedade criada pelo artigo 162.º" do Orçamento para 2011, diz o documento ontem apresentado pelo ministro das Finanças. Esta taxa terá afectado cerca de dois mil pensionistas. Já os cortes que agora se prevêem em 2012 serão mais abrangentes. Dados do início do ano apontam para a existência de cerca de 180 mil pensionistas nesta situação, dos quais 133 mil do Estado e 43,4 mil da Segurança Social. Além disso, o corte de 10% será logo aplicado a partir de 4.200 euros brutos.

Hospitais têm corte de 11% nos custos operacionais

Os hospitais, centros hospitalares e unidades locais de saúde integrados no sector empresarial do Estado vão ter de reduzir em 11% os seus custos operacionais em 2012, segundo um despacho publicado ontem em Diário da República e disponibilizado no portal do Ministério da Saúde. Esta intenção é reforçada no Documento de Estratégia Orçamental até 2015 do Governo no qual é declarada a intenção de implementar um plano para reduzir os custos nos hospitais públicos e a revisão da tabela de preços no Serviço Nacional de Saúde (SNS) com "o objectivo último de fazer o mesmo, com menos recursos". O Governo define também algumas medidas que considera "estruturantes", como a revisão do modelo das taxas moderadoras, a racionalização da oferta de cuidados hospitalares ou o reforço dos cuidados primários. Entre outras medidas, o Ministério quer ainda promover a utilização de genéricos, "mediante a remoção de todas as barreiras à entrada de genéricos no mercado". O impacto previsto destas medidas no esforço de consolidação orçamental é 0,5% do PIB em 2012 e 0,3% em 2013.

Corte de 12% na ciência e superior

Os custos de funcionamento de algumas rubricas de investimento do Programa Ciência e Ensino Superior (PCES) vão ter de emagrecer 12% em relação a 2011, de acordo com o Documento de Estratégia Orçamental, ontem apresentado. No total, o Ministério da Educação quer poupar 9,6% no PCES em 2012. As restantes medidas para a Educação incluem a "supressão de ofertas não essenciais no Ensino Básico", a "revisão criteriosa de planos e projectos associados à promoção do sucesso escolar", a "reavaliação e reestruturação da iniciativa Novas Oportunidades" e "outras medidas de racionalização de recursos, nomeadamente, quanto ao número de alunos por turma, no ensino regular e nos cursos" de Educação e Formação de Adultos. Segundo o plano publicado ontem pelo Ministério das Finanças, a rede escolar também vai ser reorganizada, com o fecho das escolas com menos alunos e os critérios relativos à mobilidade docente serão ajustados, para que se racionalizem os recursos humanos das escolas. Alguma da despesa com a Educação que era assegurada pelo Orçamento do Estado vai ser assegurada por fundos comunitários, acrescenta o Governo.

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FONTE: ECONOMICO
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Medidas contra a fraude do Orçamento para 2011 continuam por executar

Finanças não publicaram portaria para obrigar os bancos a fornecer informação sobre movimentos do Multibanco.

Ainda não foi este ano que os bancos tiveram de enviar ao Fisco uma relação de todos os fluxos de pagamentos com cartões de crédito e de débito, efectuados por seu intermédio, a empresários e a profissionais liberais da categoria B do IRS.

Apesar de a medida, introduzida no Orçamento do Estado para 2011, prever que o deveriam fazer até ao final do mês de Julho, isso não aconteceu porque as Finanças não emitiram a tempo a portaria que devia aprovar o modelo oficial do documento onde a informação lhes seria enviada.

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Apresentação do Documento de Estratégia Orçamental


Intervenção inicial do Ministro de Estado e das Finanças na apresentação do Documento de Estratégia Orçamental

Portugal enfrenta hoje uma das mais profundas crises económicas e financeiras da sua história. A crise que hoje vivemos é o resultado de debilidades estruturais e de desequilíbrios macroeconómicos e financeiros acumulados durante mais de uma década. Os persistentes desequilíbrios conduziram ao avolumar de níveis elevados de endividamento público e de níveis muito elevados de endividamento externo – reflectindo o endividamento das famílias e das empresas não financeiras portuguesas. Estas debilidades e desequilíbrios foram revelados, de forma clara, no contexto da crise global e europeia, que começou em 2007. A percepção de risco de crédito associada com instrumentos portugueses de dívida agravou-se, de forma pronunciada, desde o Outono de 2009. Deste modo, verificou-se um agravamento das condições de financiamento da economia portuguesa quer em termos de custo, quer em termos de acesso ao crédito, tornando inadiável o pedido de assistência financeira internacional, que se concretizou, finalmente, em Abril de 2011.

O Programa de Assistência Económica e Financeira marca o começo do longo processo de solução para os graves desafios que Portugal enfrenta. O Programa, acordado com a União Europeia e o FMI, permite um empréstimo de 78 mil milhões de euros. Este envelope financeiro é uma das características basilares do programa. O ajustamento tem de se conformar dentro desta restrição de financiamento. O Programa assinado pelas autoridades portuguesas, e apoiado pelos três maiores partidos, inclui um conjunto de compromissos que devem ser hierarquizados. Em primeiro lugar, encontram-se os critérios quantitativos. Estes referem-se aos valores para o défice e a dívida que são acompanhados numa base trimestral. Acresce o compromisso de não acumulação de atrasos nos pagamentos por parte das Administrações Públicas. No decorrer dos exames regulares de avaliação do Programa – que ocorrem numa base trimestral – é aferido o cumprimento de cada um destes critérios quantitativos. O incumprimento de qualquer destes critérios põe em causa o desembolso dos montantes previstos no calendário do Programa. Uma tal ocorrência implicaria a interrupção do financiamento da economia portuguesa. Trata-se, portanto, de critérios prioritários e incontornáveis.

Num patamar abaixo, mas com uma grande visibilidade encontram-se os marcos estruturais e as acções prévias.

Finalmente, o Programa prevê um conjunto amplo de medidas que têm igualmente de ser cumpridas. Relativamente a estas últimas poderão, após consulta prévia, verificar-se ajustamentos, ou substituição, desde que se garanta o respeito pelos limites e objectivos do Programa.

O programa de ajustamento da economia portuguesa assenta em três eixos fundamentais. Por conveniência de exposição irei referi-los na seguinte ordem: em primeiro lugar, a estabilidade financeira e a continuidade do financiamento da actividade económica em Portugal; em segundo lugar, a consolidação orçamental visando, a médio prazo, a eliminação do desequilíbrio nas Finanças Públicas e a redução no nível do endividamento e, em terceiro lugar, uma agenda de transformação estrutural visando lançar as bases para uma economia aberta e competitiva, capaz de gerar endogenamente crescimento sustentado e criador de emprego.

i. Estabilidade financeira e financiamento da economia

Portugal acumulou, nos últimos quinze anos, níveis de endividamento excepcionalmente elevados. A acumulação de dívida, combinada com a persistência de baixo crescimento económico, está na base das dificuldades de acesso ao financiamento que agora se verificam. O processo de redução dos níveis de endividamento e o aumento da poupança é, assim, incontornável. De resto já se iniciou, de forma expressiva, no sector privado. Este processo de redução da dependência do financiamento através de instrumentos de dívida – também referido como «desalavancagem» – é, portanto, inevitável. Importa assegurar que prossegue de forma gradual e ordeira não pondo em causa o financiamento da economia.

Os bancos portugueses prepararam já (e actualizam com regularidade) planos que visam assegurar financiamento estável, em condições normais de mercado. As perspectivas previstas de financiamento serão compatibilizadas com o enquadramento macroeconómico (incluindo as necessidades de financiamento do Sector Público). É de destacar, neste contexto, a importância da contenção das necessidades de financiamento do Sector Empresarial do Estado, cujo programa de reestruturação e reorganização – que assegurará uma redução substancial de custos e da dependência de transferências do Orçamento do Estado - será ultimado durante o próximo mês de Setembro. Promove-se, desta forma, a libertação de crédito bancário, actualmente afecto ao sector público, para os sectores mais produtivos da economia portuguesa. Merece especial destaque o sector exportador cujo comportamento está a atenuar a recessão que agora vivemos e constituirá o principal motor de crescimento da economia portuguesa nos próximos anos.

ii. Estratégia orçamental

O Documento de Estratégia Orçamental tem como propósito enquadrar o Orçamento do Estado para 2012 numa estratégia de médio e longo prazo e situá-lo na agenda de transformação estrutural que consta do Programa do Governo. Contém as grandes linhas da consolidação orçamental a médio prazo, incluindo as perspectivas para as Finanças Públicas, nos próximos quatro anos. O Documento de Estratégia Orçamental é um marco estrutural do Programa de Assistência Económica e Financeira. As perspectivas de consolidação orçamental são inteiramente compatíveis com os objectivos do Programa. Um documento de estratégia orçamental de médio prazo está na linha das melhores práticas internacionais e é exigido pelos procedimentos de governação económica da área do euro. Em Portugal, a Lei do Enquadramento Orçamental prevê a definição de um quadro orçamental plurianual, que o Governo se propõe apresentar, em simultâneo com actualização anual do Programa de Estabilidade e Crescimento, a partir do próximo ano.

Nos últimos anos Portugal apresentou um número considerável de programas de consolidação orçamental no médio prazo (ver Gráfico I.6). Nestes programas previa-se, em geral, uma posição orçamental próxima do equilíbrio no ano final do programa. O Gráfico mostra que a evolução a médio prazo do défice das contas públicas não aparenta qualquer relação com os objectivos expressos por sucessivos Governos. O problema radica fundamentalmente na falta de capacidade de garantir uma execução orçamental em linha com os objectivos de médio prazo fixados. Portugal persistiu em regras, procedimentos e práticas na área orçamental, desenvolvidos durante décadas de instabilidade monetária e controles sobre os movimentos de capitais, que se revelaram totalmente inadequados na área do euro.

É então crucial perceber as diferenças que marcam agora uma rotura com o passado e permitem confiar na realização dos objectivos fixados. A persistência de comportamentos atávicos é incompatível com o sucesso do ajustamento orçamental.

Quero destacar algumas razões que fundamentam a convicção de que a estratégia de consolidação orçamental será, desta vez, bem sucedida. Em primeiro lugar, Portugal encontra-se ao abrigo de um Programa de Assistência Económica e Financeira. O cumprimento dos critérios quantitativos do Programa é condição necessária, como já referi, para que se cumpram os desembolsos inerentes ao empréstimo concedido. Em segundo lugar, o Documento perfilha uma profunda reforma do processo orçamental e dos mecanismos de controlo que o acompanham. A ideia é provocar uma rotura com as regras, procedimentos e práticas que contribuíram para o mau desempenho no passado. Em terceiro lugar, o Governo está fortemente empenhado em monitorizar os riscos da execução orçamental prevista e antecipar medidas que previnam as consequências que daí possam advir.

Parece-me importante deter-me uns momentos sobre este último ponto. Recordo que no Orçamento do Estado para 2011 o objectivo para o défice em contabilidade nacional situava-se nos 4,6 % do PIB. Esse objectivo foi corrigido para 5,9 % com o Programa de Assistência Económica e Financeira. A primeira revisão do objectivo para o défice em 2011 acabou por se revelar insuficiente. Com efeito, os resultados da execução orçamental, como este Governo bem cedo identificou, sinalizam desvios, em particular nas despesas com o pessoal, onde eram esperadas reduções significativas no número de efetivos da administração central. Também nos consumos intermédios, nas transferências de capital e noutras receitas correntes, a execução orçamental aponta para resultados piores do que o esperado, sendo que no conjunto destas quatro rubricas se estima um desvio total de cerca de 1,1 p.p. do PIB. Em termos de saldo orçamental, este desvio poderá ser ligeiramente inferior, graças a um melhor desempenho da receita fiscal, sem medidas adicionais, avaliado em cerca de 0,2 p.p. do PIB. No entanto, a este valor é preciso acrescentar a assunção da dívida de duas empresas da Região Autónoma da Madeira e o resultado das operações relacionadas com a privatização do BPN (o desvio estimado é apresentado no Quadro III.4).

Sobre toda esta questão permitam-me que seja muito claro: Se tivéssemos esperado pela materialização do desvio, este teria sido detectado no contexto do primeiro exame regular do programa de ajustamento. A existência de um desvio previsto por corrigir teria certamente efeitos nefastos na percepção dos portugueses e dos credores internacionais e poderia pôr em causa o Programa de Assistência. Nas actuais circunstâncias em que os investidores internacionais privados se revelam indisponíveis para assegurar o refinanciamento dos créditos, o cumprimento rigoroso do programa é essencial para não comprometer o financiamento global da economia e proteger o país das consequências da sua interrupção súbita.

O desvio foi detectado atempadamente e compensado imediatamente com medidas extraordinárias. É normalmente difícil mostrar os benefícios da prudência que previne males futuros que, graças a essa prevenção, não chegam a materializar-se. Não é esse o caso. Aqui está bem patente a natureza eminente da ameaça e os benefícios da sua antecipação e correcção. Em 2012, será necessário um esforço adicional para substituir as medidas temporárias, tomadas em 2011, por outras permanentes. Este esforço adicional que implica ir além das medidas especificadas no Memorando de Entendimento é necessário para permitir o cumprimento dos objectivos quantitativos do que dele constam. 2012 será ainda marcado como o primeiro ano do programa em que se verificará um saldo primário positivo (0,4 % do PIB) e um saldo primário estrutural de 2,1 % do PIB. As projecções para os principais indicadores orçamentais, no período 2011-2015, encontram-se no quadro III.7.

O Documento de Estratégia Orçamental apresenta uma trajectória persistente e gradual de ajustamento ao longo do tempo. Os principais indicadores de Finanças Públicas estão sumariados no Quadro III.7. A dívida pública atingirá um máximo em 2013 (106,8 % do PIB) decrescendo para 101,8 % em 2015. Nesse ano, o saldo global estará próximo do equilíbrio (como preconizado na Lei do Enquadramento Orçamental) e coincidirá com o saldo estrutural porque a economia portuguesa se encontrará com a actividade económica ao seu nível potencial. O excedente primário atingirá 4,5 % do PIB. O desequilíbrio orçamental terá sido corrigido e a sustentabilidade orçamental terá sido restaurada. O quadro III.8 sumaria as principais medidas com impacto orçamental em 2012 e 2013. O gráfico III.2 mostra a trajectória da despesa e da receita total e a dinâmica da dívida. De forma notável, as receitas totais mantêm-se quase constantes em percentagem do PIB. Em contraste, as despesas públicas caiem 7 pp de mais de 50% (50,6%) do PIB em 2010 para 43,5 % em 2015. Um corte de despesas desta grandeza não tem precedente nas séries estatísticas disponíveis.

O ajustamento orçamental é consistente com projecções macroeconómicas prudentes e realistas. Em 2011 e 2012 Portugal estará em recessão com uma perda de PIB, acumulada nos dois anos, de cerca de 4%. Neste período, a taxa de desemprego aumentará quase 2,5 pp para 13,2%. Em contraste, a partir de 2013 a economia começará a crescer, a criar emprego e a taxa de desemprego começará a sua trajectória descendente. O défice da balança corrente e de capital terá, entre 2010 e 2015, diminuído mais de 7p.p. do PIB para se situar em apenas -1,2% do PIB no final do período. Em cinco anos a economia portuguesa terá quase eliminado o seu desequilíbrio orçamental e externo. A dívida pública estará gradualmente a decrescer. A economia terá começado a crescer, a criar emprego após um processo de ajustamento sempre impulsionado pela forte contribuição das exportações líquidas. A economia portuguesa terá, assim, criado condições de suporte para o crescimento sustentável e duradouro.

O Documento de Estratégia Orçamental inclui um sumário das medidas de consolidação orçamental em 2012-2013. Inclui informação relativa a um vasto conjunto de medidas de contenção da despesa. O cumprimento do Programa torna também necessário proceder a um ajustamento pela via dos impostos. Globalmente, o esforço a realizar, do lado da despesa e do lado da receita fiscal, será na proporção de 2/3 e 1/3 respectivamente.

Do lado da despesa, o esforço de ajustamento será tão amplo quanto possível, incluindo a Administração Central e Segurança Social, a Administração Regional e Local e o Sector Empresarial do Estado. As medidas a implementar traduzem opções de carácter transversal e sectorial. Uma grande parte destas será concretizada e detalhada no Orçamento do Estado para 2012. Dentro destas medidas, destaco as que apresentam um maior impacto no ano de 2012:

- A diminuição das despesas com o pessoal (em 0,4% do PIB) que resulta do congelamento de salários das administrações públicas e medidas sectoriais de redução do número de contratados, racionalização de despesas com horas extraordinárias e deslocações e revisão de carreiras e suplementos remuneratórios.

- A redução do montante de prestações sociais (em 0,6% do PIB) associada maioritariamente à suspensão da regra de indexação das pensões, excluindo apenas a actualização das pensões mais baixas.

- A diminuição do valor das prestações sociais em espécie (em 0,5% do PIB) por via da redução de despesa pública na área da saúde.

- A redução do consumo intermédio nas Administrações Públicas (em 0,7% do PIB), associada à racionalização dos serviços e controlo dos custos operacionais da Administração Pública, do Sector Empresarial do Estado e da rede escolar.

- A diminuição do investimento em 0,6% do PIB na Administração Central, Local e Regional bem como no Sector Empresarial do Estado.

Apesar dos esforços do lado da despesa, as medidas de restruturação e racionalização das Administrações Públicas não têm efeito imediato. É, por isso, em cumprimento das obrigações assumidas pelo Estado português no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira, necessário reforçar o processo de consolidação orçamental com medidas do lado da receita. Dentro destas, importa destacar a racionalização da estrutura das taxas do IVA, incluindo a alteração sobre produtos energéticos, e a revisão dos benefícios fiscais em sede de IRS e IRC. Em relação a estes impostos, quero ainda referir que, tendo em vista garantir maior equidade fiscal na austeridade, o Governo proporá uma taxa adicional de solidariedade, de carácter temporário, em sede de IRC e de IRS sobre as empresas com maiores lucros tributáveis e sobre as pessoas singulares que se encontram no escalão de rendimentos colectáveis mais elevados, respectivamente. Paralelamente, serão reforçados os meios no combate à fraude e evasão fiscais e lançadas duas reformas estruturantes: a da Administração Tributária e a do Sistema Fiscal por via da simplificação dos impostos sobre o rendimento.

iii. Agenda de transformação estrutural e conclusão

É muito importante sublinhar que a estratégia de consolidação orçamental não estaria completa, nem seria sustentável, sem a concretização de uma agenda de transformação estrutural da economia portuguesa, baseada na abertura da economia e na remoção das barreiras à livre entrada e concorrência nos mercados.

Esta agenda inclui a própria transformação estrutural do Estado e é condição essencial para a sustentabilidade do ajustamento das administrações públicas. Nesse sentido, serão adoptadas medidas que introduzam melhorias no funcionamento da administração pública, designadamente por via da eliminação de actividades redundantes e da simplificação e reorganização dos serviços. Adicionalmente, serão reforçados os mecanismos de controlo sobre a criação e o funcionamento de todas as entidades públicas, incluindo empresas públicas, fundações e associações. Muitas dessas entidades serão extintas.

A agenda de transformação estrutural requer qualidade na condução das políticas públicas. As autoridades devem:

- velar pela estabilidade financeira;
- garantir um quadro regulamentar e de supervisão eficaz;
- conduzir uma política tributária simples, transparente e estável;
- assegurar condições atraentes para o investimento produtivo, nacional ou estrangeiro;
- prosseguir políticas de educação e saúde que favoreçam a melhoria do capital humano e social;
- promover a abertura e a concorrência na economia favorecendo a inovação e o progresso tecnológico.

Quero concluir fazendo um ponto que julgo de grande importância. A consolidação orçamental e a diminuição ordeira do endividamento são incontornáveis. São condições necessárias para retomar uma trajectória de prosperidade crescente em Portugal. Não são, no entanto, condições suficientes. Permitem, isso sim, a concretização de uma ampla agenda de transformação estrutural que estimulará a competitividade e o crescimento da economia portuguesa. Referirei apenas algumas iniciativas emblemáticas.

O programa de privatizações ocupa uma posição central nesta estratégia global, enquadrando-se nos objectivos de redução do peso do Estado na economia e de aprofundamento da integração europeia, designadamente por via da abertura do capital das empresas ao investimento estrangeiro.

A dinamização da economia será ainda reforçada com a adopção de um novo projecto da Lei da Concorrência que separa de forma clara os procedimentos de aplicação das regras da concorrência face aos procedimentos penais, em harmonização com o quadro legal da União Europeia. Foi já criado um tribunal especializado em matéria de concorrência, regulação e supervisão e agir-se-á no sentido de reforçar a independência dos reguladores. Além disso, será efectuada uma revisão do número de profissões reguladas e liberalizado o acesso ao exercício destas profissões por profissionais qualificados e estabelecidos na União Europeia.

No que toca ao sistema judicial, até final de 2011 será concluída uma avaliação que visa acelerar os procedimentos dos tribunais e melhorar a sua eficiência. Será também reforçado o quadro de resolução alternativa de litígios para facilitar o acordo extrajudicial.

Quanto ao mercado de trabalho, serão adoptadas medidas que promovam a sua flexibilidade e capacidade de ajustamento. Os intuitos são fáceis de enunciar: reduzir o grave problema do desemprego de longa duração, deixar de penalizar as gerações mais jovens que nele pretendem mover-se e incentivar a criação de novos empregos.

A desvalorização fiscal constitui um outro elemento chave na estratégia de aumentar a competitividade da economia portuguesa. Um corte na Taxa Social Única paga pela entidade patronal será sempre compensado por um aumento das receitas do IVA através, fundamentalmente, da racionalização da estrutura das taxas, e de forma a ter um impacto neutro no orçamento. Uma alternativa atraente seria o corte da TSU para os sectores da indústria transformadora e turismo. No entanto tal alternativa é incompatível com o direito europeu em matéria de auxílios de Estado. Neste contexto, o Governo considera seguir uma abordagem ambiciosa nos objectivos, mas gradual na execução. Desta forma a alteração em 2012 será um primeiro passo na concretização de uma medida ambiciosa que favorece a acelera o processo de ajustamento estrutural. O processo prosseguirá em 2013. O Governo está naturalmente a dialogar sobre outras alternativas consideradas no Relatório divulgado há cerca de um mês. As alternativas incluem a redução da TSU com base num critério de criação de emprego líquido. Uma tal alternativa levanta desafios ao nível do desenho, execução e controlo. O Governo irá consultar os parceiros sociais e internacionais, num espírito de diálogo construtivo, antes da decisão final sobre esta matéria.

O sucesso desta agenda ampla de transformação da economia portuguesa requer o esforço e a mobilização de todos os portugueses. Este será o caminho para um novo ciclo de prosperidade, crescimento e criação de emprego. Hoje passámos mais uma etapa desse caminho. E passaremos as muitas etapas que nos restam. Com passos seguros, decididos e responsáveis. Muito depende de todos e de cada um de nós. Tenho bem vivo o sentimento da nossa responsabilidade colectiva, tanto pelo que está em causa no que toca ao nosso futuro, como pelas grandes questões que na Europa e o Mundo se colocam, e que encontrarão no teste português pelo menos uma parte da resposta.



 
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Construtoras querem mexer nos impostos sobre imóveis

Tributação autónoma dos rendimentos de arrendamento e desagravamento em 50% da taxa de IMI em alguns casos são algumas das propostas

As construtoras defendem ainda a tributação autónoma dos rendimentos de arrendamento, através da criação de uma taxa liberatória, até um valor máximo de 21,5% «aos rendimentos de arrendamento habitacional, igual à dos rendimentos dos depósitos bancários», tornando o mercado mais atrativo ao investimento.

Atualmente, o imposto sobre as rendas não é tributado de forma autónoma, sendo englobado nos rendimentos sujeitos ao Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS), que pode atingir os 46,5%.

«Trata-se tão-somente de conceder um tratamento fiscal de equidade aos rendimentos do arrendamento habitacional, sector onde o Estado, atualmente, quase não tem receita», lê-se no documento.

A CPCI sugere também a liberalização do regime de arrendamento urbano, de modo a permitir a actualização das rendas antigas «sem outro limite que não seja o do estado de conservação» dos imóveis.

«Os limites à actualização de rendas devem ser eliminados, de forma a que o mercado do arrendamento possa funcionar devidamente», argumenta, acrescentando que para as famílias «que efetivamente necessitem de apoio » Estado deve criar «mecanismos adequados».

A confederação reivindica a simplificação dos processos de despejo, reduzindo os prazos previstos para início do processo de despejo, dos 90 dias para 30 dias.

IMI: desagravar taxa em 50%

A estrutura liderada por Reis Campos pede ainda o reforço dos incentivos, em sede de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) para os investimentos em reabilitação urbana e mercado de arrendamento.

«Propõe-se o desagravamento em 50% da taxa de IMI e a isenção de IMT na primeira transacção para os prédios afectos ao arrendamento por um período de, pelo menos, 10 anos» e a concessão aos investidores estrangeiros isenção de IMT e redução do IMI em 50% para «captar investimento estrangeiro para o imobiliário nacional».

Por último, a CPCI reitera a necessidade de alterar a Lei das Rendas, em vigor há quase cinco anos.

Segundo a confederação, «dos 740.000 alojamentos arrendados existentes no país, 390.000 têm contratos de arrendamento anteriores a 1990», acrescentando que 34% do parque habitacional português necessita de intervenção, mas, no caso dos fogos arrendados, essa percentagem atinge mesmo os 56%.

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FONTE: TVI24
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BE contra cruzamento de dados entre SNS e Finanças

BE contra cruzamento de dados entre SNS e Finanças

O BE acusou esta segunda-feira o Governo de incorrer numa «violação gravíssima» da Constituição ao pretender cruzar dados entre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e as Finanças, adiantando que vai chamar o ministro Paulo Macedo ao Parlamento, noticia a Lusa.

O dirigente bloquista José Manuel Pureza afirmou que «o Governo pretende, a partir deste cruzamento de bases de dados, [obter] uma ferramenta que só se justifica para propiciar ao Governo um plafonamento dos serviços».

O ex-dirigente do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda acrescentou que a ideia governamental «viola gravissimamente a lei e os direitos constitucionais, ultrapassando aliás pareceres negativos da Comissão Nacional de Protecção de Dados» (CNPD).

Para Pureza, isto constitui o que disse ser «uma invasão da privacidade que significa a exposição pública das condições de saúde de cada cidadão», o que considerou, «em si mesmo, intolerável».

O dirigente do BE, que falava no final de uma reunião da comissão política, considerou que esta medida representa uma «violação gravíssima» dos princípios constitucionais da privacidade e da gratuitidade tendencial do SNS.

Disse ainda que «está em aberto» a hipótese de requerer a fiscalização da sua constitucionalidade.

«Este cruzamento de informação vai permitir ao Governo cumprir, da maneira mais perversa, um aspecto do seu programa, que é o chamado programa de benefícios garantidos», acusou.

Como especificou: «Se um cidadão é detectado a partir desse cruzamento como tendo necessidade de recorrer sistematicamente aos serviços públicos de saúde porque é, por exemplo, doente crónico, isso vai significar que o Estado se prepara para limitar os serviços prestados a esse cidadão».

Acusou ainda o Executivo de «mistificar» a aplicação desta medida, com o argumento da subida das taxas moderadoras, e disse ver apenas «uma invasão de privacidade desproporcionada e uma intenção perversa de limitar» o acesso aos serviços de saúde.

«O BE tomou a iniciativa de denunciar a perversidade desta situação, mas, diante da gravidade das notícias que vão saindo, nós tencionamos usar, entre outras, a prerrogativa de chamar ao Parlamento o ministro da Saúde e outros responsáveis governamentais, para darem todos os esclarecimentos», acrescentou.

José Manuel Pureza adiantou ainda que o BE vai apresentar nos próximos dias várias propostas de lei, entre as quais uma onde defende a cobrança de uma taxa sobre todos os rendimentos de capital de 2011.

O responsável do BE e antigo deputado condenou ainda as «alterações significativas na política de transporte público» e o facto de o novo passe social abranger apenas cidadãos com rendimentos mensais brutos até 545 euros.

«O Governo decidiu fazer agora, porque é esse o significado da medida, o segundo aumento dos transportes públicos, antecipando um outro aumento que se registará normalmente em Janeiro», disse, acusando o Executivo de Passos Coelho de fazer um «ataque muito firme» ao serviço público de transportes e de o desincentivar.

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FONTE: TVI24
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Acórdão do TJCE - Livre circulação de capitais – Imposto sobre o rendimento – Certificação do imposto das sociedades efetivamente pago sobre dividendos de origem estrangeira – Prevenção da dupla tributação dos dividendos – Crédito fiscal para dividendos pagos por sociedades residentes – Provas exigidas quanto ao imposto estrangeiro imputável

ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA (Primeira Secção)

«Livre circulação de capitais – Imposto sobre o rendimento – Certificação do imposto das sociedades efectivamente pago sobre dividendos de origem estrangeira – Prevenção da dupla tributação dos dividendos – Crédito fiscal para dividendos pagos por sociedades residentes – Provas exigidas quanto ao imposto estrangeiro imputável»


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FONTE: TJCE
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Novo passe social acessível só para quem ganha menos de €545,00

Até agora qualquer pessoa poderia comprar o passe social. A partir de 1 de Setembro, as regras serão diferentes com o passe social +.

"O Passe Social+ estará disponível para todos os agregados familiares cujo rendimento médio mensal equivalente por sujeito passivo não ultrapasse o valor correspondente a 1,3 vezes o Indexante de Apoios Sociais (IAS)", avança o ministério da Economia em comunicado enviado às redacções.

Como o IAS está hoje em 419,22 euros, as famílias com rendimentos brutos médios mensais até 545 euros por contribuinte têm direito a esta bonificação.

Recorde-se que quando o actual Governo anunciou a subida dos preços dos transportes de passageiros em cerca de 15%, a partir de 1 de Agosto passado, prometeu que a 1 de Setembro iriam entrar em vigor as tarifas sociais, para os cidadãos economicamente mais desfavorecidos.

A partir da entrada em vigor desta medida, os portugueses com menos rendimentos poderão requerer a sua adesão a este título, válido por um período de 12 meses e renovável anualmente.

Segundo o ministério de Álvaro Santos Pereira, numa primeira fase, a comprovação de elegibilidade será realizada através da declaração de rendimentos, "em moldes semelhantes aos que são já utilizados há quase três décadas para os Passes Reformados/Pensionistas".

Numa segunda fase, a implementar até ao fim do ano, "bastará obter um comprovativo no sítio de internet da DGCI, que permitirá, de forma mais simplificada, a adesão ao Passe Social+".

A adesão ao título de transporte "estará disponível apenas em bilheteiras específicas para o efeito, a divulgar pelos respectivos operadores de transporte público de passageiros", lê-se no documento.

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FONTE: ECONOMICO
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