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BE contra cruzamento de dados entre SNS e Finanças

BE contra cruzamento de dados entre SNS e Finanças

O BE acusou esta segunda-feira o Governo de incorrer numa «violação gravíssima» da Constituição ao pretender cruzar dados entre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e as Finanças, adiantando que vai chamar o ministro Paulo Macedo ao Parlamento, noticia a Lusa.

O dirigente bloquista José Manuel Pureza afirmou que «o Governo pretende, a partir deste cruzamento de bases de dados, [obter] uma ferramenta que só se justifica para propiciar ao Governo um plafonamento dos serviços».

O ex-dirigente do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda acrescentou que a ideia governamental «viola gravissimamente a lei e os direitos constitucionais, ultrapassando aliás pareceres negativos da Comissão Nacional de Protecção de Dados» (CNPD).

Para Pureza, isto constitui o que disse ser «uma invasão da privacidade que significa a exposição pública das condições de saúde de cada cidadão», o que considerou, «em si mesmo, intolerável».

O dirigente do BE, que falava no final de uma reunião da comissão política, considerou que esta medida representa uma «violação gravíssima» dos princípios constitucionais da privacidade e da gratuitidade tendencial do SNS.

Disse ainda que «está em aberto» a hipótese de requerer a fiscalização da sua constitucionalidade.

«Este cruzamento de informação vai permitir ao Governo cumprir, da maneira mais perversa, um aspecto do seu programa, que é o chamado programa de benefícios garantidos», acusou.

Como especificou: «Se um cidadão é detectado a partir desse cruzamento como tendo necessidade de recorrer sistematicamente aos serviços públicos de saúde porque é, por exemplo, doente crónico, isso vai significar que o Estado se prepara para limitar os serviços prestados a esse cidadão».

Acusou ainda o Executivo de «mistificar» a aplicação desta medida, com o argumento da subida das taxas moderadoras, e disse ver apenas «uma invasão de privacidade desproporcionada e uma intenção perversa de limitar» o acesso aos serviços de saúde.

«O BE tomou a iniciativa de denunciar a perversidade desta situação, mas, diante da gravidade das notícias que vão saindo, nós tencionamos usar, entre outras, a prerrogativa de chamar ao Parlamento o ministro da Saúde e outros responsáveis governamentais, para darem todos os esclarecimentos», acrescentou.

José Manuel Pureza adiantou ainda que o BE vai apresentar nos próximos dias várias propostas de lei, entre as quais uma onde defende a cobrança de uma taxa sobre todos os rendimentos de capital de 2011.

O responsável do BE e antigo deputado condenou ainda as «alterações significativas na política de transporte público» e o facto de o novo passe social abranger apenas cidadãos com rendimentos mensais brutos até 545 euros.

«O Governo decidiu fazer agora, porque é esse o significado da medida, o segundo aumento dos transportes públicos, antecipando um outro aumento que se registará normalmente em Janeiro», disse, acusando o Executivo de Passos Coelho de fazer um «ataque muito firme» ao serviço público de transportes e de o desincentivar.

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FONTE: TVI24
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Condição de recursos para utentes do SNS entra em vigor em Março

Só em Março é que vai entrar em vigor a condição de recursos para os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A garantia, dada pelo secretário de estado da saúde Óscar Gaspar, surge depois de um despacho de Dezembro que apontava para 1 de Janeiro e das declarações de outro secretário de estado da saúde, Manuel Pizarro, que referiam finais de Fevereiro.

«Nós só poderemos fazer a prova de recurso em relação ao ano de 2010 quando as pessoas entregarem as declarações de IRS, estamos a falar em Março», disse Óscar Gaspar, sobre a entrada em vigor da nova exigência para beneficiar de apoios na comparticipação de medicamentos ou no transporte de doentes não urgentes.

«Pessoas com rendimentos elevados não se justifica que tenham pagamento por parte do Estado em termos do transporte. Aquilo que também está no despacho é que haverá um regulamento sobre o transporte de doentes não urgentes e é nisso que estamos a trabalhar», referiu Óscar Gaspar, que espera a conclusão do diploma para os próximos dias.
 
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FONTE: A BOLA
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