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Apresentação do Documento de Estratégia Orçamental


Intervenção inicial do Ministro de Estado e das Finanças na apresentação do Documento de Estratégia Orçamental

Portugal enfrenta hoje uma das mais profundas crises económicas e financeiras da sua história. A crise que hoje vivemos é o resultado de debilidades estruturais e de desequilíbrios macroeconómicos e financeiros acumulados durante mais de uma década. Os persistentes desequilíbrios conduziram ao avolumar de níveis elevados de endividamento público e de níveis muito elevados de endividamento externo – reflectindo o endividamento das famílias e das empresas não financeiras portuguesas. Estas debilidades e desequilíbrios foram revelados, de forma clara, no contexto da crise global e europeia, que começou em 2007. A percepção de risco de crédito associada com instrumentos portugueses de dívida agravou-se, de forma pronunciada, desde o Outono de 2009. Deste modo, verificou-se um agravamento das condições de financiamento da economia portuguesa quer em termos de custo, quer em termos de acesso ao crédito, tornando inadiável o pedido de assistência financeira internacional, que se concretizou, finalmente, em Abril de 2011.

O Programa de Assistência Económica e Financeira marca o começo do longo processo de solução para os graves desafios que Portugal enfrenta. O Programa, acordado com a União Europeia e o FMI, permite um empréstimo de 78 mil milhões de euros. Este envelope financeiro é uma das características basilares do programa. O ajustamento tem de se conformar dentro desta restrição de financiamento. O Programa assinado pelas autoridades portuguesas, e apoiado pelos três maiores partidos, inclui um conjunto de compromissos que devem ser hierarquizados. Em primeiro lugar, encontram-se os critérios quantitativos. Estes referem-se aos valores para o défice e a dívida que são acompanhados numa base trimestral. Acresce o compromisso de não acumulação de atrasos nos pagamentos por parte das Administrações Públicas. No decorrer dos exames regulares de avaliação do Programa – que ocorrem numa base trimestral – é aferido o cumprimento de cada um destes critérios quantitativos. O incumprimento de qualquer destes critérios põe em causa o desembolso dos montantes previstos no calendário do Programa. Uma tal ocorrência implicaria a interrupção do financiamento da economia portuguesa. Trata-se, portanto, de critérios prioritários e incontornáveis.

Num patamar abaixo, mas com uma grande visibilidade encontram-se os marcos estruturais e as acções prévias.

Finalmente, o Programa prevê um conjunto amplo de medidas que têm igualmente de ser cumpridas. Relativamente a estas últimas poderão, após consulta prévia, verificar-se ajustamentos, ou substituição, desde que se garanta o respeito pelos limites e objectivos do Programa.

O programa de ajustamento da economia portuguesa assenta em três eixos fundamentais. Por conveniência de exposição irei referi-los na seguinte ordem: em primeiro lugar, a estabilidade financeira e a continuidade do financiamento da actividade económica em Portugal; em segundo lugar, a consolidação orçamental visando, a médio prazo, a eliminação do desequilíbrio nas Finanças Públicas e a redução no nível do endividamento e, em terceiro lugar, uma agenda de transformação estrutural visando lançar as bases para uma economia aberta e competitiva, capaz de gerar endogenamente crescimento sustentado e criador de emprego.

i. Estabilidade financeira e financiamento da economia

Portugal acumulou, nos últimos quinze anos, níveis de endividamento excepcionalmente elevados. A acumulação de dívida, combinada com a persistência de baixo crescimento económico, está na base das dificuldades de acesso ao financiamento que agora se verificam. O processo de redução dos níveis de endividamento e o aumento da poupança é, assim, incontornável. De resto já se iniciou, de forma expressiva, no sector privado. Este processo de redução da dependência do financiamento através de instrumentos de dívida – também referido como «desalavancagem» – é, portanto, inevitável. Importa assegurar que prossegue de forma gradual e ordeira não pondo em causa o financiamento da economia.

Os bancos portugueses prepararam já (e actualizam com regularidade) planos que visam assegurar financiamento estável, em condições normais de mercado. As perspectivas previstas de financiamento serão compatibilizadas com o enquadramento macroeconómico (incluindo as necessidades de financiamento do Sector Público). É de destacar, neste contexto, a importância da contenção das necessidades de financiamento do Sector Empresarial do Estado, cujo programa de reestruturação e reorganização – que assegurará uma redução substancial de custos e da dependência de transferências do Orçamento do Estado - será ultimado durante o próximo mês de Setembro. Promove-se, desta forma, a libertação de crédito bancário, actualmente afecto ao sector público, para os sectores mais produtivos da economia portuguesa. Merece especial destaque o sector exportador cujo comportamento está a atenuar a recessão que agora vivemos e constituirá o principal motor de crescimento da economia portuguesa nos próximos anos.

ii. Estratégia orçamental

O Documento de Estratégia Orçamental tem como propósito enquadrar o Orçamento do Estado para 2012 numa estratégia de médio e longo prazo e situá-lo na agenda de transformação estrutural que consta do Programa do Governo. Contém as grandes linhas da consolidação orçamental a médio prazo, incluindo as perspectivas para as Finanças Públicas, nos próximos quatro anos. O Documento de Estratégia Orçamental é um marco estrutural do Programa de Assistência Económica e Financeira. As perspectivas de consolidação orçamental são inteiramente compatíveis com os objectivos do Programa. Um documento de estratégia orçamental de médio prazo está na linha das melhores práticas internacionais e é exigido pelos procedimentos de governação económica da área do euro. Em Portugal, a Lei do Enquadramento Orçamental prevê a definição de um quadro orçamental plurianual, que o Governo se propõe apresentar, em simultâneo com actualização anual do Programa de Estabilidade e Crescimento, a partir do próximo ano.

Nos últimos anos Portugal apresentou um número considerável de programas de consolidação orçamental no médio prazo (ver Gráfico I.6). Nestes programas previa-se, em geral, uma posição orçamental próxima do equilíbrio no ano final do programa. O Gráfico mostra que a evolução a médio prazo do défice das contas públicas não aparenta qualquer relação com os objectivos expressos por sucessivos Governos. O problema radica fundamentalmente na falta de capacidade de garantir uma execução orçamental em linha com os objectivos de médio prazo fixados. Portugal persistiu em regras, procedimentos e práticas na área orçamental, desenvolvidos durante décadas de instabilidade monetária e controles sobre os movimentos de capitais, que se revelaram totalmente inadequados na área do euro.

É então crucial perceber as diferenças que marcam agora uma rotura com o passado e permitem confiar na realização dos objectivos fixados. A persistência de comportamentos atávicos é incompatível com o sucesso do ajustamento orçamental.

Quero destacar algumas razões que fundamentam a convicção de que a estratégia de consolidação orçamental será, desta vez, bem sucedida. Em primeiro lugar, Portugal encontra-se ao abrigo de um Programa de Assistência Económica e Financeira. O cumprimento dos critérios quantitativos do Programa é condição necessária, como já referi, para que se cumpram os desembolsos inerentes ao empréstimo concedido. Em segundo lugar, o Documento perfilha uma profunda reforma do processo orçamental e dos mecanismos de controlo que o acompanham. A ideia é provocar uma rotura com as regras, procedimentos e práticas que contribuíram para o mau desempenho no passado. Em terceiro lugar, o Governo está fortemente empenhado em monitorizar os riscos da execução orçamental prevista e antecipar medidas que previnam as consequências que daí possam advir.

Parece-me importante deter-me uns momentos sobre este último ponto. Recordo que no Orçamento do Estado para 2011 o objectivo para o défice em contabilidade nacional situava-se nos 4,6 % do PIB. Esse objectivo foi corrigido para 5,9 % com o Programa de Assistência Económica e Financeira. A primeira revisão do objectivo para o défice em 2011 acabou por se revelar insuficiente. Com efeito, os resultados da execução orçamental, como este Governo bem cedo identificou, sinalizam desvios, em particular nas despesas com o pessoal, onde eram esperadas reduções significativas no número de efetivos da administração central. Também nos consumos intermédios, nas transferências de capital e noutras receitas correntes, a execução orçamental aponta para resultados piores do que o esperado, sendo que no conjunto destas quatro rubricas se estima um desvio total de cerca de 1,1 p.p. do PIB. Em termos de saldo orçamental, este desvio poderá ser ligeiramente inferior, graças a um melhor desempenho da receita fiscal, sem medidas adicionais, avaliado em cerca de 0,2 p.p. do PIB. No entanto, a este valor é preciso acrescentar a assunção da dívida de duas empresas da Região Autónoma da Madeira e o resultado das operações relacionadas com a privatização do BPN (o desvio estimado é apresentado no Quadro III.4).

Sobre toda esta questão permitam-me que seja muito claro: Se tivéssemos esperado pela materialização do desvio, este teria sido detectado no contexto do primeiro exame regular do programa de ajustamento. A existência de um desvio previsto por corrigir teria certamente efeitos nefastos na percepção dos portugueses e dos credores internacionais e poderia pôr em causa o Programa de Assistência. Nas actuais circunstâncias em que os investidores internacionais privados se revelam indisponíveis para assegurar o refinanciamento dos créditos, o cumprimento rigoroso do programa é essencial para não comprometer o financiamento global da economia e proteger o país das consequências da sua interrupção súbita.

O desvio foi detectado atempadamente e compensado imediatamente com medidas extraordinárias. É normalmente difícil mostrar os benefícios da prudência que previne males futuros que, graças a essa prevenção, não chegam a materializar-se. Não é esse o caso. Aqui está bem patente a natureza eminente da ameaça e os benefícios da sua antecipação e correcção. Em 2012, será necessário um esforço adicional para substituir as medidas temporárias, tomadas em 2011, por outras permanentes. Este esforço adicional que implica ir além das medidas especificadas no Memorando de Entendimento é necessário para permitir o cumprimento dos objectivos quantitativos do que dele constam. 2012 será ainda marcado como o primeiro ano do programa em que se verificará um saldo primário positivo (0,4 % do PIB) e um saldo primário estrutural de 2,1 % do PIB. As projecções para os principais indicadores orçamentais, no período 2011-2015, encontram-se no quadro III.7.

O Documento de Estratégia Orçamental apresenta uma trajectória persistente e gradual de ajustamento ao longo do tempo. Os principais indicadores de Finanças Públicas estão sumariados no Quadro III.7. A dívida pública atingirá um máximo em 2013 (106,8 % do PIB) decrescendo para 101,8 % em 2015. Nesse ano, o saldo global estará próximo do equilíbrio (como preconizado na Lei do Enquadramento Orçamental) e coincidirá com o saldo estrutural porque a economia portuguesa se encontrará com a actividade económica ao seu nível potencial. O excedente primário atingirá 4,5 % do PIB. O desequilíbrio orçamental terá sido corrigido e a sustentabilidade orçamental terá sido restaurada. O quadro III.8 sumaria as principais medidas com impacto orçamental em 2012 e 2013. O gráfico III.2 mostra a trajectória da despesa e da receita total e a dinâmica da dívida. De forma notável, as receitas totais mantêm-se quase constantes em percentagem do PIB. Em contraste, as despesas públicas caiem 7 pp de mais de 50% (50,6%) do PIB em 2010 para 43,5 % em 2015. Um corte de despesas desta grandeza não tem precedente nas séries estatísticas disponíveis.

O ajustamento orçamental é consistente com projecções macroeconómicas prudentes e realistas. Em 2011 e 2012 Portugal estará em recessão com uma perda de PIB, acumulada nos dois anos, de cerca de 4%. Neste período, a taxa de desemprego aumentará quase 2,5 pp para 13,2%. Em contraste, a partir de 2013 a economia começará a crescer, a criar emprego e a taxa de desemprego começará a sua trajectória descendente. O défice da balança corrente e de capital terá, entre 2010 e 2015, diminuído mais de 7p.p. do PIB para se situar em apenas -1,2% do PIB no final do período. Em cinco anos a economia portuguesa terá quase eliminado o seu desequilíbrio orçamental e externo. A dívida pública estará gradualmente a decrescer. A economia terá começado a crescer, a criar emprego após um processo de ajustamento sempre impulsionado pela forte contribuição das exportações líquidas. A economia portuguesa terá, assim, criado condições de suporte para o crescimento sustentável e duradouro.

O Documento de Estratégia Orçamental inclui um sumário das medidas de consolidação orçamental em 2012-2013. Inclui informação relativa a um vasto conjunto de medidas de contenção da despesa. O cumprimento do Programa torna também necessário proceder a um ajustamento pela via dos impostos. Globalmente, o esforço a realizar, do lado da despesa e do lado da receita fiscal, será na proporção de 2/3 e 1/3 respectivamente.

Do lado da despesa, o esforço de ajustamento será tão amplo quanto possível, incluindo a Administração Central e Segurança Social, a Administração Regional e Local e o Sector Empresarial do Estado. As medidas a implementar traduzem opções de carácter transversal e sectorial. Uma grande parte destas será concretizada e detalhada no Orçamento do Estado para 2012. Dentro destas medidas, destaco as que apresentam um maior impacto no ano de 2012:

- A diminuição das despesas com o pessoal (em 0,4% do PIB) que resulta do congelamento de salários das administrações públicas e medidas sectoriais de redução do número de contratados, racionalização de despesas com horas extraordinárias e deslocações e revisão de carreiras e suplementos remuneratórios.

- A redução do montante de prestações sociais (em 0,6% do PIB) associada maioritariamente à suspensão da regra de indexação das pensões, excluindo apenas a actualização das pensões mais baixas.

- A diminuição do valor das prestações sociais em espécie (em 0,5% do PIB) por via da redução de despesa pública na área da saúde.

- A redução do consumo intermédio nas Administrações Públicas (em 0,7% do PIB), associada à racionalização dos serviços e controlo dos custos operacionais da Administração Pública, do Sector Empresarial do Estado e da rede escolar.

- A diminuição do investimento em 0,6% do PIB na Administração Central, Local e Regional bem como no Sector Empresarial do Estado.

Apesar dos esforços do lado da despesa, as medidas de restruturação e racionalização das Administrações Públicas não têm efeito imediato. É, por isso, em cumprimento das obrigações assumidas pelo Estado português no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira, necessário reforçar o processo de consolidação orçamental com medidas do lado da receita. Dentro destas, importa destacar a racionalização da estrutura das taxas do IVA, incluindo a alteração sobre produtos energéticos, e a revisão dos benefícios fiscais em sede de IRS e IRC. Em relação a estes impostos, quero ainda referir que, tendo em vista garantir maior equidade fiscal na austeridade, o Governo proporá uma taxa adicional de solidariedade, de carácter temporário, em sede de IRC e de IRS sobre as empresas com maiores lucros tributáveis e sobre as pessoas singulares que se encontram no escalão de rendimentos colectáveis mais elevados, respectivamente. Paralelamente, serão reforçados os meios no combate à fraude e evasão fiscais e lançadas duas reformas estruturantes: a da Administração Tributária e a do Sistema Fiscal por via da simplificação dos impostos sobre o rendimento.

iii. Agenda de transformação estrutural e conclusão

É muito importante sublinhar que a estratégia de consolidação orçamental não estaria completa, nem seria sustentável, sem a concretização de uma agenda de transformação estrutural da economia portuguesa, baseada na abertura da economia e na remoção das barreiras à livre entrada e concorrência nos mercados.

Esta agenda inclui a própria transformação estrutural do Estado e é condição essencial para a sustentabilidade do ajustamento das administrações públicas. Nesse sentido, serão adoptadas medidas que introduzam melhorias no funcionamento da administração pública, designadamente por via da eliminação de actividades redundantes e da simplificação e reorganização dos serviços. Adicionalmente, serão reforçados os mecanismos de controlo sobre a criação e o funcionamento de todas as entidades públicas, incluindo empresas públicas, fundações e associações. Muitas dessas entidades serão extintas.

A agenda de transformação estrutural requer qualidade na condução das políticas públicas. As autoridades devem:

- velar pela estabilidade financeira;
- garantir um quadro regulamentar e de supervisão eficaz;
- conduzir uma política tributária simples, transparente e estável;
- assegurar condições atraentes para o investimento produtivo, nacional ou estrangeiro;
- prosseguir políticas de educação e saúde que favoreçam a melhoria do capital humano e social;
- promover a abertura e a concorrência na economia favorecendo a inovação e o progresso tecnológico.

Quero concluir fazendo um ponto que julgo de grande importância. A consolidação orçamental e a diminuição ordeira do endividamento são incontornáveis. São condições necessárias para retomar uma trajectória de prosperidade crescente em Portugal. Não são, no entanto, condições suficientes. Permitem, isso sim, a concretização de uma ampla agenda de transformação estrutural que estimulará a competitividade e o crescimento da economia portuguesa. Referirei apenas algumas iniciativas emblemáticas.

O programa de privatizações ocupa uma posição central nesta estratégia global, enquadrando-se nos objectivos de redução do peso do Estado na economia e de aprofundamento da integração europeia, designadamente por via da abertura do capital das empresas ao investimento estrangeiro.

A dinamização da economia será ainda reforçada com a adopção de um novo projecto da Lei da Concorrência que separa de forma clara os procedimentos de aplicação das regras da concorrência face aos procedimentos penais, em harmonização com o quadro legal da União Europeia. Foi já criado um tribunal especializado em matéria de concorrência, regulação e supervisão e agir-se-á no sentido de reforçar a independência dos reguladores. Além disso, será efectuada uma revisão do número de profissões reguladas e liberalizado o acesso ao exercício destas profissões por profissionais qualificados e estabelecidos na União Europeia.

No que toca ao sistema judicial, até final de 2011 será concluída uma avaliação que visa acelerar os procedimentos dos tribunais e melhorar a sua eficiência. Será também reforçado o quadro de resolução alternativa de litígios para facilitar o acordo extrajudicial.

Quanto ao mercado de trabalho, serão adoptadas medidas que promovam a sua flexibilidade e capacidade de ajustamento. Os intuitos são fáceis de enunciar: reduzir o grave problema do desemprego de longa duração, deixar de penalizar as gerações mais jovens que nele pretendem mover-se e incentivar a criação de novos empregos.

A desvalorização fiscal constitui um outro elemento chave na estratégia de aumentar a competitividade da economia portuguesa. Um corte na Taxa Social Única paga pela entidade patronal será sempre compensado por um aumento das receitas do IVA através, fundamentalmente, da racionalização da estrutura das taxas, e de forma a ter um impacto neutro no orçamento. Uma alternativa atraente seria o corte da TSU para os sectores da indústria transformadora e turismo. No entanto tal alternativa é incompatível com o direito europeu em matéria de auxílios de Estado. Neste contexto, o Governo considera seguir uma abordagem ambiciosa nos objectivos, mas gradual na execução. Desta forma a alteração em 2012 será um primeiro passo na concretização de uma medida ambiciosa que favorece a acelera o processo de ajustamento estrutural. O processo prosseguirá em 2013. O Governo está naturalmente a dialogar sobre outras alternativas consideradas no Relatório divulgado há cerca de um mês. As alternativas incluem a redução da TSU com base num critério de criação de emprego líquido. Uma tal alternativa levanta desafios ao nível do desenho, execução e controlo. O Governo irá consultar os parceiros sociais e internacionais, num espírito de diálogo construtivo, antes da decisão final sobre esta matéria.

O sucesso desta agenda ampla de transformação da economia portuguesa requer o esforço e a mobilização de todos os portugueses. Este será o caminho para um novo ciclo de prosperidade, crescimento e criação de emprego. Hoje passámos mais uma etapa desse caminho. E passaremos as muitas etapas que nos restam. Com passos seguros, decididos e responsáveis. Muito depende de todos e de cada um de nós. Tenho bem vivo o sentimento da nossa responsabilidade colectiva, tanto pelo que está em causa no que toca ao nosso futuro, como pelas grandes questões que na Europa e o Mundo se colocam, e que encontrarão no teste português pelo menos uma parte da resposta.



 
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Sistematização cronologica das medidas do Programa de Apoio Económico e Financeiro a Portugal até ao final de 2011

Classificação das medidas constantes do Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica (CE) e do Memorando de Políticas Económicas e Financeiras (FMI), identificando:

- o prazo de implementação;

- as entidades envolvidas;

- a natureza (para as medidas que são benchmarks estruturais);

- parágrafo correspondente nos Memorandos.

 
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FONTE: MINISTÉRIO DAS FINANÇAS
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Memorando da Troika em Português

Tradução do conteúdo do

MEMORANDO DE ENTENDIMENTO SOBRE AS CONDICIONALIDADES DE POLÍTICA ECONÓMICA

Nota: O idioma da versão original e oficial do Memorando em referência é o inglês. A presente versão em português corresponde a uma tradução do documento original e é da exclusiva responsabilidade do Governo português. Em caso de eventual divergência entre a versão inglesa e a portuguesa, prevalece a versão inglesa.
 
 
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FONTE: AVENTAR
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A "Troika" e as profissões reguladas

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Profissões reguladas

5.31. Eliminar as restrições ao uso de comunicação comercial (publicidade) em profissões reguladas, nos termos exigidos na Directiva dos Serviços. [T3‐2011]

5.32. Rever e reduzir o número de profissões reguladas e, em especial, eliminar as reservas de actividades em profissões reguladas que deixaram de se justificar. Adoptar a lei relativa a profissões não reguladas pela Assembleia da República [T3‐2011] e apresentar à Assembleia da República a lei para as reguladas pela Assembleia da República [T3‐2011], para ser aprovada até ao T1‐2012.

5.33. Adoptar medidas destinadas a liberalizar o acesso e o exercício de profissões reguladas desempenhadas por profissionais qualificados e estabelecidos na União Europeia. Adoptar a lei sobre profissões não reguladas pela Assembleia da República [T3‐2011] e apresentar à Assembleia da República a lei relativa às profissões reguladas por esse órgão de soberania [T3‐2011], para ser aprovada até ao T1‐2012.

5.34. Melhorar o funcionamento do sector das profissões reguladas (tais como técnicos oficiais de contas, advogados, notários) levando a cabo uma análise aprofundada dos requisitos que afectam o exercício da actividade e eliminando os que não sejam justificados ou proporcionais. [T4‐2011] [...]

in memorando de entendimento estabelecido pela troika (FMI, CE e BCE)

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Imposto sobre tabaco de enrolar vai aumentar

‘Troika’ impôs agravamento de imposto sobre tabaco de enrolar, de cachimbo e cigarrilhas.

O tabaco é um dos alvos do aumento de impostos da ‘troika'. O agravamento da tributação previsto no memorando assinado com o Governo garantirá uma receita adicional de 100 milhões por ano aos cofres do Estado. Deste montante, 70 milhões virá do aumento do imposto sobre o tabaco de enrolar, tabaco para cachimbo e charutos, revelou ao Diário Económico o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Sérgio Vasques.

"Prevemos o alargamento da base tributável ao nível dos impostos especiais sobre o consumo, agravando, no caso do tabaco, a tributação de alguns produtos que têm vindo a ganhar margem de mercado como tabaco de enrolar, tabaco para cachimbo e cigarrilhas", avança Sérgio Vasques.

O governante acrescenta que para aquele alargamento da base tributável contribuirá também "a deslocalização de tráfego de Espanha para Portugal", uma previsão que é rebatida pelo presidente da Associação de Grossistas de Tabaco do Sul (AGTSUL).

"Tal só será possível se admitirmos que os produtos de tabaco em Espanha venham a ser significativamente mais caros do que em Portugal", afirma João Passos. Caso contrário, diz, o mercado português "continuará a ser permeável à entrada de produtos de tabaco produzidos e taxados em Espanha, com perda de receita fiscal para o Estado ".

O agravamento de impostos sobre os cigarros levou, nos últimos anos, a uma mudança de hábitos de consumo, com a transferência do maço de cigarros para o tabaco de enrolar, mais barato. A substituição do maço pelo tabaco de enrolar pode gerar mesmo uma poupança da ordem dos 50% para o consumidor. A compra de mortalhas (1,5 euros), tabaco (2,80 euros) e filtros (1,50 euros) permite, em média, fazer 60 cigarros, ou seja, o equivalente a três maços. Contas feita: cada grupo de vinte cigarros de enrolar custa perto de dois euros, contra os quatro euros da marca mais vendida.

Esta transferência de consumo parece ter, porém, os dias contados com os agravamentos agora previsto e que promete anular a diferença de preços com os cigarros face ao aumento da carga fiscal sobre o tabaco de enrolar, que aproximou-se já este ano, com a introdução das alterações previstas no Orçamento do Estado de 2011, dos valores que incidem sobre os maços.

João Passos da AGTSUL defende que a tributação sobre os produtos de tabaco "deve estar equilibrada com o poder de compra médio do fumador". E alerta: "o aumento desproporcionado da fiscalidade pode ter efeitos perversos conducentes à perda efectiva na receita fiscal arrecadada". A AGTSUL prevê ainda um aumento da produtos contrafeitos e da criminalidade que "vitimará ainda mais as empresas que trabalham com produtos de tabaco".

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FONTE: ECONOMICO
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As medidas que mais vão mexer no bolso das famílias

Subidas de impostos, aumentos dos transportes públicos e saúde mais cara são algumas das medidas.

O memorando de entendimento entre a ‘troika' e Portugal será particularmente duro para as famílias, que terão de fazer uma ginástica maior com os seus orçamentos. Aumentos de impostos em toda a linha, cortes nas pensões, subida das taxas moderadoras e dos custos da habitação são algumas das medidas mais penalizadoras. Saiba quais as principais medidas que o Governo terá de implementar.

1 - Menos deduções no IRS

Os contribuintes vão passar a fazer menos deduções no IRS já a partir de 2012. Vão ser introduzidos tectos máximos às deduções que as famílias podem fazer com as despesas de saúde, educação, entre outros. A proposta não é nova e já tinha sido apresentada pelo PS no PEC I, tendo sido chumbada pelo PSD. Com o memorando vai mesmo para a frente. Os limites máximos vão variar consoante os rendimentos dos contribuintes. Por outro lado, será introduzido um limite às deduções da saúde. Actualmente, os contribuintes podem deduzir 30% das despesas que fazem com a saúde, não havendo um montante máximo. O novo tecto será então introduzido no próximo Orçamento do Estado.

2 - Apoios sociais prejudicados no IRS

As famílias em que um dos cônjuges recebe apoios sociais do Estado como o subsídio de desemprego, abono de família ou subsídio de maternidade será prejudicado no IRS. É que estes rendimentos vão passar a contar para o cálculo da taxa de IRS que será aplicada. Ao serem somados, o rendimento anual da família será mais elevado podendo levar a uma subida de escalão de IRS.

3 - Mais encargos com a casa

Os proprietários e inquilinos vão pagar mais pelas suas casas: as deduções de amortizações do empréstimo à habitação e das rendas da casa serão eliminadas. Já a dedução dos juros pagos no âmbito dos créditos contraídos vai ser progressivamente cortada. Além disso, a isenção de IMI a que muitos proprietários têm direito será encurtada e retirada progressivamente. Outro dos aumentos advém da avaliação das casas, que deverá agravar o montante pago pelos proprietários.

4 - IVA sobe na electricidade e gás

Serviços essenciais como a electricidade e o gás também vão subir de preço, com os impostos a serem novamente os responsáveis pelo agravamento das facturas. Assim, a electricidade e o gás deixarão de ter direito à taxa reduzida do IVA, de 6%, passando para 13% ou 23%. Falta ainda definir o aumento concreto da subida.

5 - Subsídio de desemprego menos generoso

A duração máxima do subsídio de desemprego vai ser reduzida para não mais do que 18 meses. O montante a receber também vai ser reduzido: não ultrapassará os 1.048 euros mensais. Além disso será introduzido um perfil decrescente de prestações após seis meses de desemprego, com uma redução de pelo menos 10% do montante de prestações. Aos cortes no subsídio, junta-se a maior facilidade de despedir por inadaptação e por extinção de posto de trabalho.

6 - Pensões altas têm cortes

Os salários na Função Pública e as pensões (do sector público e privado) serão congelados até 2013, com excepção das pensões mais baixas. Além disso, sobre as reformas a partir de 1.500 euros incidirá uma contribuição especial. Os pensionistas também pagarão mais impostos: é que o regime de IRS - até aqui mais favorável para os reformados - vai convergir com o dos trabalhadores por conta de outrem.

7 - Salários contidos

No sector privado, é de esperar aumentos de acordo com a produtividade e cortes no valor das horas extraordinárias (que não deverão superar 50% do montante da hora normal, ainda que a contratação colectiva possa fazer variar o valor). Os bancos de horas também poderão ser negociados directamente.

8 - Utentes pagam mais pelos cuidados de saúde

Os utentes terão de pagar mais pelo acesso ao Serviço Nacional de Saúde. De um lado, as taxas moderadoras vão subir, do outro haverá menos utentes isentos. Isto porque os critérios de isenção vão ser revistos. As urgências e consultas externas serão as mais penalizadas. Esta medida tem impacto já em Setembro deste ano.

9 - Corte nas indemnizações

Os novos trabalhadores que venham a ser despedidos vão passar a ter direito a indemnização de 20 dias por cada ano de trabalho, 10 dos quais pagos por um fundo empresarial a criar. As regras acabarão por se estender aos actuais trabalhadores em 2012, mas sem perda de direitos. E depois, haverá nova revisão dos montantes, em linha com a média europeia.

10 - Transportes públicos mais caros

Os preços dos transportes vão subir. As empresas terão de apresentar uma proposta para rever as tarifas.

11 - ADSE limitada

Os benefícios dos subsistemas de saúde públicos como a ADSE, dos polícias e dos militares vão ser cortados. Na prática, estes utentes vão passar a pagar mais pelos serviços médicos.

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FONTE: ECONOMICO
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Taxas moderadoras vão aumentar. Mas há mais

Patrões vão passar a descontar menos para a Segurança Social, militares ficam proibidos de gerar despesa e privatizações são mesmo para avançar

Para além das novas medidas sobre os impostos, subsídios, despedimentos, salário mínimo, o memorando de entendimento acordado entre a troika e o Governo prevê o aumento das taxas moderadoras, privatizações e cortes nos investimentos:

- As taxas moderadoras na área da saúde vão aumentar a partir de Setembro, «indexadas à inflação, e a isenções substancialmente reduzidas». A subida vai ser feita de forma a que o que os utentes paguem menos nos centros de saúde e mais nas urgências e consultas de especialidade. Prevê-se assim que as taxas aumentem em determinados serviços, para garantir que as taxas moderadoras dos cuidados primários são inferiores às das consultas de especialidade e às das urgências.

E, «de forma a proteger os mais vulneráveis», serão colocados no terreno mecanismos de compensação». O documento promete «reformas que aumentarão a eficiência e a efectividade no sector da saúde».

- Os patrões vão passar a descontar menos para a Segurança Social, já que o acordo prevê a diminuição da taxa social única (mas apenas da parte que é da responsabilidade dos empregadores), sendo que, para compensar o Estado da perda desta receita e para não pôr em causa o sistema de pensões, serão aplicadas alterações nas taxas de IVA e cortes na despesa, entre outros. Tudo para aumentar a competitividade da economia nacional.

- Os militares vão ficar proibidos de gerar despesa e vai ser apresentada até ao final do ano uma revisão da Lei da Programação Militar com a intenção de impor tectos nos gastos. Em 2010, o Estado inscreveu na sua despesa cerca de mil milhões de euros na compra de dois submarinos. Até 2014, o acordo prevê também que a área da Defesa reduza o seu pessoal em 10 por cento.

- Os custos operacionais das empresas do sector empresarial do Estado deverão sofrer uma redução de 15% já este ano, assim como as políticas de compensação salarial da administração pública terão um corte de 5%.

Serão reduzidos os «benefícios acessórios em pelo menos 5% por ano entre 2011 e 2014». Entre eles estão carro, telemóvel ou despesas de representação e viagens de que usufruem alguns trabalhadores do sector empresarial do Estado. As subvenções do sector serão igualmente diminuídas vão ser aplicados «limites mais apertados para a dívida de 2012».

- O Governo tem agora 12 mil milhões de euros para injectar nos bancos nacionais, sendo que o valor total da ajuda a Portugal é de 78 mil milhões, e tem de vender o BPN até Julho, sem preço mínimo. A CGD deve vender seguros e aumentar capital com recursos próprios;

- A TAP, a EDP e a REN também são para privatizar totalmente até ao final do ano. Mas o plano vai até 2013 e «cobre os transportes (ANA, Aeroportos de Portugal, TAP e CP Carga), energia (Galp, EDP e REN), comunicações (CTT) e Seguros (Caixa Seguros)», segundo a Lusa. Um novo plano de privatizações será preparado até Março de 2012. As golden shares que o Estado detém em algumas empresas são para eliminar até Julho

- Novidades também nos grandes investimentos: o próximo Governo terá de suspender a concretização de novas parcerias público-privadas - e terá de pedir assistência técnica à UE e ao FMI «para avaliar, pelo menos, as 20 PPP mais significativas, incluindo as principais PPP da Estradas de Portugal». Uma avaliação que deverá estar concluída até Agosto. Terão também de ser melhorados «substancialmente os relatórios sobre as PPP para reforçar os mecanismos de monitorização» e, a partir de 2012, os relatórios anuais sobre as PPP terão de especificar todos os cash flows futuros e as as obrigações do Governo nestes projectos.

Ainda no âmbito dos grandes investimentos, o aeroporto de Lisboa não vai contar com fundos públicos e o TGV Lisboa-Porto fica suspenso.


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Justiça, câmaras e Finanças também não escapam

Acordo com a troika prevê reduzir morosidade dos tribunais, número de câmaras e repartições fiscais

Há uma série de novas medidas incluídas no acordo entre a troika e o Governo para que Portugal receba, em troca, ajuda financeira: para além dos impostos, subsídios, bem como taxas moderadoras ou privatizações, também a Justiça, as câmaras e as repartições de Finanças não escapam à austeridade:.


- Em relação à Justiça, a troika quer ver resolvido o problema da pendência processual em 24 meses. Para isso, vai ser feita uma auditoria, a concluir em Junho, sobre todos os casos das acções de execução, insolvências, dívidas fiscais e processo laborais. Serão tomadas medidas até Setembro para melhorar a resolução do número de processos pendentes nos tribunais, que todos os anos aumentam.

Está ainda prevista uma reestruturação dos tribunais para melhorar a sua eficácia e a implementação das 39 comarcas do novo mapa judiciário até ao final de 2012. Será definido um roteiro para esta reforma que vai ser totalmente financiada pelos ganhos conseguidos através da racionalização de custos e numa melhor gestão dos serviços públicos. Os novos tribunais para as questões de concorrência e direitos de propriedade intelectual estarão a funcionar em Janeiro de 2012.

Será criada ainda uma task force de juízes para despachar processos fiscais acima de 1 milhão de euros.

- O número de câmaras (308) e juntas de freguesia (4.259) será reduzido a partir de Julho de 2012. Um corte que terá de ser feito até às próximas eleições autárquicas que decorrerão em 2013.

E até Dezembro deste ano, terá de ser publicado um levantamento de todas as entidades públicas, incluindo associações, fundações e outros organismos em todos os níveis da administração pública, que permitirá ao Governo decidir quais deverá encerrar ou manter.

O presidente da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) já veio dizer que «essa questão nunca sequer foi referida» na reunião com a troika e que os cortes não fazem sentido do ponto de vista dos custos para o Estado. «Cada euro investido pelas freguesias tem um retorno de quatro. Isto é imbatível comparando com qualquer outro nível da administração pública em Portugal», disse à Lusa Armando Vieira.

- Está ainda previsto o fecho de uma em cada cinco repartições locais de finanças. A administração fiscal será constituída por 30% de auditores até ao final de 2012, «na sua maioria através da recolocação de pessoal do sector público e na administração fiscal».

O acordo prevê também a modernização da administração fiscal, com a unificação dos vários serviços de impostos (Direcção Geral de Contribuições e Impostos), alfândegas (Direcção Geral de Alfândegas) e serviços informáticos (Direcção Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiro).

Até ao final de Setembro deste ano, as duas partes prevêem ter concluído um estudo sobre se a nova estrutura - cujo formato estará decidido até ao final de 2011 - pode ou não acumular a colecta da segurança social.

Esta nova estrutura vai simplificar as repartições locais de finanças, fechando pelo menos 20% (uma em cada cinco) em 2011 e em 2012.

No que toca à fraude e evasão fiscal, as partes assumem que até final de Outubro vão preparar um novo plano estratégico para 2012-2014 para a administração fiscal, que inclui «medidas concretas para combater a fraude e evasão fiscais» que não especifica.

Por outro lado, até final deste ano será apresentada ao parlamento uma nova proposta de lei para reforçar a auditoria fiscal e a capacidade de aplicação da lei por parte da estrutural central de impostos, para que esta possa «exercer controlo sobre todo o território nacional, incluindo as actuais zonas isentas».

A nova lei dará à administração fiscal central «o poder exclusivo de emitir decisões interpretativas sobre impostos de aplicação nacional, para assegurar uma aplicação uniforme».

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Troika quer Fisco a cobrar dívidas da Segurança Social

Cobrança será feita pela estrutura resultante de fusão da DGCI, Alfândegas e informática.

A ‘troika' retomou a fusão entre a DGCI e as Alfândegas, já prevista no PEC IV, adicionando mais uma estrutura no projecto de integração: a Direcção Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros (DGITA). A nova estrutura, que envolve um total de 11.800 funcionários, poderá mesmo a vir assumir a função de cobrança da administração da Segurança Social, hipótese admitida pelo FMI, CE e BCE.

"A administração fiscal e alfandegária, e o serviço de tecnologias da informação serão unificados. Vamos realizar um estudo até final de Setembro de 2011 para analisar a viabilidade da nova estrutura assumir a função de cobrança da administração da Segurança Social", avança o memorando da ‘troika'.

A máquina fiscal tem já uma experiência na cobrança coerciva da Segurança Social até 2001. Marcelo Castro, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), realça: "É uma experiência que já temos e que tem sido aprofundada em outros países como Inglaterra e Itália".

A estrutura, a ser projectada em consulta com a CE e os funcionários do FMI, será organizada em torno das funções do seu negócio principal e complementada por uma abordagem de segmentação dos contribuintes, principalmente através da adopção de uma Unidade de Grandes Contribuintes.

"É algo que, de certa forma, já existe e que tem de ser reforçado. Não é possível que grandes empresas continuem como principais responsáveis da evasão fiscal. Recordo que o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Amaral Tomaz tinha já alertado que em Portugal a fraude fiscal é cometida sobretudo pelas grandes empresas", diz Marcelo Castro.

No ano passado, a inspecção tributária detectou 253,1 milhões de euros de impostos em falta na sequência de inspecções junto de grandes empresas, cerca de 25% do total dos impostos detectados em falta.

O desenho da nova estrutura será concluído até final de 2011 e implementado até ao final de 2012. A estrutura irá racionalizar agências locais, fechando pelo menos 20% dos serviços locais de finanças em 2011 e 2012, um corte de 70 serviços do total de 350 actualmente existentes e que é estimado pelo STI.

"Somos contra o fecho de Serviços de Finanças, uma estrutura fiscal de proximidade é o melhor caminho para uma administração fiscal de competências alargadas, eficaz e eficiente", defende Marcelo Castro. E realça: "Só com um investimento sério na Administração tributária poderemos sair da crise sem penalizar ainda mais os contribuintes cumpridores e pagadores".

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FONTE: ECONOMICO
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